Mais uma vez, depois de ler o livro de Jó, vários sentimentos me assaltam.
Falamos de um homem cujos valores morais e espirituais lhe conferem um viver com caráter justo e irrepreensível. Ele se preocupava com o bem-estar espiritual dos filhos, por isso, por eles oferecia holocaustos.
Vivia no temor do Senhor, sempre se afastando do pecado, mas mesmo assim perde tudo: riqueza, família, saúde, até os próprios amigos, que interpelando-o o massacram, duvidando da sua integridade.
Irá Jó tropeçar e culpar Deus por toda a sua desgraça? E eu? Estou eu preparado para uma tal avalanche de infortúnios? Conseguiremos enxergar o propósito divino e esperar uma oportunidade, após a restauração?
Quantas lutas, incertezas, dor e sofrimento serão necessários para que os nossos olhos vejam o Divino? Ele não age, não sente, não pensa como eu.
Ele é único, Senhor soberano, criador e sustentador.
Nesta vida terrena lutamos para adquirir bens, posição, conforto, tudo o que nos dá sensação de segurança. Podemos ser elogiados, reconhecidos na sociedade, mas como nos vê Deus?
Tudo o que reputamos como justo, digno, serão realmente propósitos divinos? E quando a bênção acaba? E quando ficamos sem um membro querido da família? E quando uma guerra inesperada nos rouba a casa e tudo o que ela encerra e o carro, que tanto nos custou a adquirir? E se o dinheiro nem chega para satisfazer os compromissos ou as primeiras necessidades?
Como reagimos quando a doença nos bater à porta? Com que grau de espiritualidade encaramos essa temível experiência? Devemos continuar a confiar num Deus que permite que tudo isto aconteça? Vou eu continuar de pé e aprender com o “ensinamento”?
A sabedoria humana é por demais limitada para compreender os desígnios e propósitos de Deus, Seu poder e sabedoria. É altura de lembrar a figura desprezada de Jesus quando na Cruz carregava os meus pecados exclamando com angústia: “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?”
Manuela Norte



